
Exposição de Pintura
António Xavier Trindade, um pintor de Goa
1870 - 1935
Centro Municipal de Cultura
23 de Janeiro a 21 de Março 08
António Xavier Trindade, um pintor de Goa
1870 - 1935
Centro Municipal de Cultura
23 de Janeiro a 21 de Março 08
António Xavier Trindade:
um pintor de Goa
António Xavier Trindade (1870-1935) é um pintor de origem portuguesa nascido em Goa, cuja obra é agora pela primeira vez exibida nos Açores – setenta e três anos após a sua morte – num conjunto coerente de óleos, aguarelas, desenhos e alguns esquissos.
Xavier Trindade tem no sangue a Europa pelo lado português, católico de nascimento e educação, e a Índia onde sempre viveu. Trocou Goa por Bombaim para os estudos mais avançados, tendo frequentado a Je Jeebhoy School of Art and Industry, onde acabou por ser professor. Aí, desde 1898, recebeu uma formação artística moldada na tradição do ensino das academias europeias, através de professores ingleses, assimilando na prática as tendências do classicismo e naturalismo.
Por outro lado, a carreira como pintor foi assinalada pela sua presença regular nos salões da Bombaim Art Society, e reconhecida publicamente ao ser-lhe atribuída a mais elevada distinção: a medalha de ouro com o quadro Dolce Farniente (1920), retratando a sua mulher Florentina. Tendo fama como retratista era solicitado por clientes europeus, mas também por indianos de diferentes castas e etnias que pretendiam ser retratados de acordo com as suas tradições e costumes.
As obras patentes nesta exposição, que se encontram na sua maioria datadas, foram produzidas entre a década de vinte e trinta, acolhendo a fase da consagração e plena maturidade do pintor com algumas excepções, e incluem três núcleos fortes: o retrato, a paisagem e a natureza – morta. Recorrendo à técnica da pintura a óleo, à aguarela, ou à singeleza do desenho, António Xavier Trindade captou o carácter psicológico dos seus modelos, nos retratos dos seus familiares, no seu próprio auto-retrato, nos retratos de encomenda e nos retratos de gente simples de proveniência goesa ou indiana.
Deste modo, a sua obra desenvolve um carácter documental, inserindo – se na tradição da pintura dos costumes mas sem o recurso ao exagero decorativo e exótico praticado pela maioria dos pintores orientalistas europeus.
Captando a vivência do dia-a-dia, salientamos alguns retratos (homem santo, as mulheres de sari com pote para a realidade do puja), as cenas dedicadas aos rituais sagrados ao rio Nasik (1930-32) e outras como as vistas de Mahim ou os barcos de pesca em Goa.
Embora António Xavier Trindade tenha feito uma carreira artística de perfil ocidental, devido à sua sensibilidade e formação multicultural, permaneceu fiel às gentes e paisagens da Índia e da sua terra natal, tornando possível a conjugação desses temas com uma pintura de valores ar-livristas de tradição ocidental no quadro de um naturalismo tardio, mas bem compreendido.
um pintor de Goa
António Xavier Trindade (1870-1935) é um pintor de origem portuguesa nascido em Goa, cuja obra é agora pela primeira vez exibida nos Açores – setenta e três anos após a sua morte – num conjunto coerente de óleos, aguarelas, desenhos e alguns esquissos.
Xavier Trindade tem no sangue a Europa pelo lado português, católico de nascimento e educação, e a Índia onde sempre viveu. Trocou Goa por Bombaim para os estudos mais avançados, tendo frequentado a Je Jeebhoy School of Art and Industry, onde acabou por ser professor. Aí, desde 1898, recebeu uma formação artística moldada na tradição do ensino das academias europeias, através de professores ingleses, assimilando na prática as tendências do classicismo e naturalismo.
Por outro lado, a carreira como pintor foi assinalada pela sua presença regular nos salões da Bombaim Art Society, e reconhecida publicamente ao ser-lhe atribuída a mais elevada distinção: a medalha de ouro com o quadro Dolce Farniente (1920), retratando a sua mulher Florentina. Tendo fama como retratista era solicitado por clientes europeus, mas também por indianos de diferentes castas e etnias que pretendiam ser retratados de acordo com as suas tradições e costumes.
As obras patentes nesta exposição, que se encontram na sua maioria datadas, foram produzidas entre a década de vinte e trinta, acolhendo a fase da consagração e plena maturidade do pintor com algumas excepções, e incluem três núcleos fortes: o retrato, a paisagem e a natureza – morta. Recorrendo à técnica da pintura a óleo, à aguarela, ou à singeleza do desenho, António Xavier Trindade captou o carácter psicológico dos seus modelos, nos retratos dos seus familiares, no seu próprio auto-retrato, nos retratos de encomenda e nos retratos de gente simples de proveniência goesa ou indiana.
Deste modo, a sua obra desenvolve um carácter documental, inserindo – se na tradição da pintura dos costumes mas sem o recurso ao exagero decorativo e exótico praticado pela maioria dos pintores orientalistas europeus.
Captando a vivência do dia-a-dia, salientamos alguns retratos (homem santo, as mulheres de sari com pote para a realidade do puja), as cenas dedicadas aos rituais sagrados ao rio Nasik (1930-32) e outras como as vistas de Mahim ou os barcos de pesca em Goa.
Embora António Xavier Trindade tenha feito uma carreira artística de perfil ocidental, devido à sua sensibilidade e formação multicultural, permaneceu fiel às gentes e paisagens da Índia e da sua terra natal, tornando possível a conjugação desses temas com uma pintura de valores ar-livristas de tradição ocidental no quadro de um naturalismo tardio, mas bem compreendido.
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